Boataria

Recentemente, fiquei muito triste com um caso que atendi. As crianças foram afastadas dos pais porque constava que eles bebiam e usavam drogas, podendo colocar em risco a integridade física dos filhos e seu desenvolvimento. Outros familiares assumiram a guarda das crianças. Ao realizar a avaliação psicológica, passados já meses, foi constatado que a situação não era verdadeira. De um lado sofriam os pais e de outro as crianças. Tudo porque alguém resolveu levantar um falso contra aquela família. Verdadeiramente lamentável e traumático para todos!

Digo todos, porque mesmo o mexeriqueiro não ficará sem o seu castigo. Em Provérbios 19.5 está escrito: “A testemunha falsa não ficará impune; e o que profere mentiras não escapará.” Mais adiante, no versículo 9, novamente: “A testemunha falsa não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá.” Existe um preço a ser pago por quem intenta destruir a vida do seu próximo.

Algumas pessoas, movidas por propósitos nada nobres, tramam contra o outro para colocar seus pés em cilada. Não raras vezes, espalham boatos, calúnias, mentiras… objetivando aparecer, chamar a atenção para si ou tomar o cargo do irmão que trabalha. Triste isso! Até que a verdade venha à tona, muitos meses podem se passar, somando maior gravidade aos falsos levantados, devido às suas consequências. No entanto, o justo não deve se desesperar, pois a verdade prevalecerá (Mt 10.26: “Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido”).

As promessas de Deus são sustentáculo nessa hora e podem trazer esperança àqueles que estão abatidos devido aos boatos maldosos (1 Pe 3.12: “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e seus ouvidos atentos à sua súplica; mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal”). Tenha paciência. Confie em Deus e não será confundido nem desamparado.

O falso testemunho é crime contra a lei dos homens (Art. 342 do Código Penal Brasileiro) e contra a lei de Deus (Êx 20.16); pecado para o cristão. A falsidade nos remete ao demônio, que é o pai da mentira (Jo 8.44); portanto, que o nosso “sim” seja “sim” e o nosso “não” seja “não”; o que passar disso vem do maligno (Mt 5.37).

Quem mente, fofoca ou calunia não comete apenas o pecado do falso testemunho, mas também o anterior: “Não furtarás” (Êx 20.15), pois a maledicência se revela como a subtração da honra alheia. Podemos furtar a dignidade de alguém através de nossas palavras, assemelhando-nos a ladrões de reputação. Lamentavelmente, muitos não pensam nisso quando resolvem falar da vida dos outros e se arvoram juízes do irmão, como se sua vida fosse inteiramente irrepreensível.

Jesus nos alerta para que tenhamos cuidado ao julgar os demais, “porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós” (Mt 7.2). Isso é bastante grave, e deve ser levado em conta toda a vez que decidirmos nos dar o direito de fofocar, mexericar ou levantar falso contra o nosso próximo. Finalizo com uma promessa de Deus para confortar o coração daquele que foi ou está sendo vítima de boataria: “Nenhuma desgraça acontecerá ao justo, mas os perversos estarão cheios de males” (Pv 12.21). Assim seja!

por Maria Regina Canhos

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